Diane Dumas

São Paulo

1 TELA: 70 X 90 (2011)

Essa tela representa o cotidiano pulsante de uma grande cidade que pulsa 24 horas,  365 dias ao ano sem cessar o batimento dessa rotina diurna e noturna.

Os edifícios vivos (interação entre prédios e humanos) construídos para alcançarem o céu são encarnados por um jogo de dominós, cada um individualizado por seus próprios números como se fossem impressões digitais.  As cifras não buscam a semelhança e sim a diferenciação, seriam botões a florescer (nascimento).

As mãos representam a agilidade dos indivíduos, estas parecem terem sido costuradas com pontos luminosos dentro do cenário da cidade. Como se fossem belas cicatrizes. Nelas destacam-se olhos, como um sexto sentido tentando sobreviver dentro dessa selva urbana. A visualidade não é representada somente com olhos que vêem, mas sim com mãos que sentem com um tocar que enxerga. Os olhos se multiplicam e são os faróis da metrópole. Eles tem dupla função, a de enxergar e de iluminar para verem e para serem vistos.

Dois braços formam uma conexão abraçando e construindo assim uma passagem entre duas dimensões, o material (o tocável) e o sensitivo (o intocável).  A imagem dessa formação de arco lembra o retrato de uma igreja iluminada com seus aros protetores e magistrais.

Essa ponte-túnel cria um movimento de abertura de porta, uma transmissão entre um lado e o outro convidando a travessia desconhecida.

Como vivemos nas alturas, os pés vermelhos vivos cheios de sangue flutuam nos ares, como balões tentando achar a direção dos caminhos. Cada um no comando de sua caminhada.

As raízes são veias e artérias humanas abastecendo a cidade pulsando no ritmo de trevos de 4 folhas que são os figurinos dos corações enterrados na terra.

A calmaria de um céu violeta se destaca no horizonte reforçando uma realidade imaginária.

Diane Dumas

“VERWURZELT” (enraízado)

CONJUNTO de 3 TELAS: 80 X 110 – 80 x 120 – 80 x 130 (2018)

O título “verwurzelt” (em alemão) significa “enraizado”. A sequência das três telas acentua o fluxo  das raízes envolventes, unindo e libertando os elementos e promovendo um magnético espetáculo de conexão e desconexão entre o amador e o especialista, entre a ilusão e a realidade. O equilíbrio da estabilidade de mãos dadas com a  instabilidade.

A estrutura construtiva das telas é como se o todo fosse uma grande pessoa de cima a baixo com pontos de aberturas e fechamentos, representados por chackras, sob a supervisão de bolhas planetárias e canais de maturidade. O circuito com seus círculos e suas linhas simboliza a árvore da vida, baseado na escola de pensamento da Kaballah reforçando o crescimento por meio da autotransformação mental, espiritual e moral. O percurso das conexões retrata uma viagem interna e externa de uma mudança pessoal com uma peça teatral com vários atos, representando o amadurecimento dos encontros e dos desencontros. A evolução da humanidade compreendendo seu papel no mundo e valorizando o aprendizado das experiências vividas.

O propósito da obra é fazer com que o telespectador sinta-se em seu próprio filme, em sua própria história. Analisar-se de forma intensa (anamnese, diagnóstico e terapia). A totalidade das imagens representa um caos aventureiro dentro de uma mente aberta.

A obra compõe dois protagonistas principais, ambos podem ser vistos de frente ou na lateral, um em cada oposto das telas, sendo um rosto feminino e o outro masculino. Uma união livre complementadora que valoriza a individualidade e a contingência. O masculino de frente para um telão e o feminino com os cabelos ao vento, ambos  destinados a encontrarem-se no meio, onde se unem numa forma alada, metamorfoseando-se à procura de uma sincronização: nascidos para voar (ir além) e se regenerar (recomeçar de novo). A inseminação e a colheita são representados por frutos pendurados. E o aconchego sentimental se apresenta por meio do envolvimento de seres imaginários de tamanhos diferentes.

O trio da obra também representa uma densa nave espacial atraindo-nos para um espaço sideral multicolorido com feixes de luzes e tramas, e ao mesmo tempo expulsando para fora como se ainda não fossemos adeptos.