Atomique

“Atômica”

Ano de produção: 2018

Técnica: acrílico

Dimensão: Conjunto de 2 telas: 80 x 90 x 4 cm cada

O título da tela “atomique” (francês)  ( = atômica) representa a visualização da imagem de um gigante cogumelo que se forma nos ares do horizonte depois de uma explosão atômica.

Essa tela representa um mundo camuflado, uma explosão de caminhos a serem percorridos: algumas estradas com curvas e multicoloridas e outras retas em preto e branco com objetivos a serem alcançados. Uma caminhada num mundo caótico e divertido entre cogumelos que podem ser contagiosos ou não. Como sempre existem os bons e os ruins. Momentos preciosos de reflexões: uma sensação de ambivalência constante e iminente entre a reação de suas decisões de vida. O cogumelo pode ser delicioso e bem vindo ao seu prato para ser degustado ou ele pode te levar a morte ou a uma péssima e penosa intoxicação alimentar com consequências. Tudo dependerá da sua colheita e de sua sábia leitura sobre qual passo seguir. 

Em aberto fica a questão sobre a ideologia de qual caminho seguir: o indireto colorido fluvial repleto de curvas ou o linear branco e preto com grandes pedras. A resposta foca no fato de que independente do caminho, todos eles levam ao destino.

A interposição do brilho e da intensidade das cores como o contraste do monocromático acentua um jogo de compatibilidade-reciprocidade e das controvérsias-diversidades.

A entrada dos elementos pretos e brancos se destaca da selva multicolorida como se fosse um enorme cordão neutro em forma de serpente com um dever de justiça, onde tudo é possível.

As telas podem ser admiradas por diferentes ângulos.

Na horizontal, os dois grandes cogumelos deitados na borda da tela dão vida a duas pessoas, uma em cada tela, uma maior (mais grossa) e outra menor (mais fina). Seus troncos são recobertos por chapéus em forma de cápsulas brilhantes. Tela adentro observam-se vários outros cogumelos vibrantes, ainda em botões prontos para serem brotados em pensamentos e idéias flutuantes.

Cada pessoa interpreta os cogumelos da sua forma e de acordo com aquilo que está vivendo naquela altura do campeonato. Alguns verão chupetas (infância), outros pirulitos (doçuras), outros arco e flechas (foco), outros explosões de pensamentos (responsabilidade), e outros resumiram o todo como o efeito cogumelo (a imagem do cogumelo de fumaça) que se tem no horizonte (no céu) depois da explosão de uma bomba atômica. 

Na vertical, o conjunto das duas telas também dá margem ao repouso de uma múmia em seu sarcófago pronta a decolar na sua nave. Ou a interpretação de uma montanha russa com seus altos e baixos (suas válvulas de escape). Também destacam-se alguns pequenos seres de tamanhos diferentes (protetores, mentores) que se formam com as curvas dos caminhos, como se fossem troncos e galhos de uma árvore colorida.

00:00:00 Geburt (Nascimento)

Ano de produção: 2018

Técnica: acrílico

Dimensão: 70 x 130 x 4 cm

O quadro provoca uma súbita intriga pelo caos exposto e foca na genialidade das junções das imagens embutidas com detalhes criativos. É fascinante tentar entrar dentro dessa pintura. Suas visões mudam de acordo com a orientação em  que a tela é fixada. Independente disso, é sempre possível enxergar um grande ser. Por isso o título da obra: 00:00:00 define o horário do nascimento de todos, a expulsão e a evolução da energia substancial.

De um jeito vê-se uma cabeça de um extraterrestre ou de um gigante inseto desconhecido com seu cérebro à vista, e seus olhos  profundos nos encarando.

De um outro jeito vê-se a grande “mama”, com um turbante na cabeça, uma figura reconfortante e protetora materna do lar que dentro dela  carrega um indivíduo já crescido.

Na lateral destaca-se uma figura brilhante e hiper vermelha que simboliza um útero florindo e sangrando simultaneamente. Uma taça divina e simbólica convidando a brindar com o sangue da vida. Este útero é enlaçado por dois ovários fluorescentes. Um ovário é beijado por um beija-flor e o outro é abraçado por um golfinho. 

A bolha facetada por inúmeras cores representa o saco amniótico protegendo o feto abstrato sem definições nem julgamentos. Acima os órgãos do tronco destacando o coração e os tubos transmissores (artérias e veias) em direção aos dois pulmões no outro extremo da tela.

A tela na horizontal destaca-se um indivíduo com face e tronco (azul claro e escuro) localizado dentro de um dos pulmões tendo o espelhamento de sua face (violeta escuro) refletido no outro pulmão.  Esse é o momento em que deixamos o saco amniótico, saindo do útero materno e começamos a respirar por nós mesmo pela primeira vez com os nossos próprios pulmões e nos confrontamos com o nosso próprio eu. Por isso a ligação das duas faces desse indivíduo entre si e se refletem como se fosse um espelho, uma pessoa se olhando e vendo o reflexo da própria face simbolizando a sua alma (sua cabeça espiritual) e sentindo o seu próprio respiro (sua aura).

No centro, na passagem  do útero para os pulmões, no coração estilístico há  um circuito, um grupo entrelaçado de mini-indivíduos com mantas coloridas, anjos e mentores protetores usando chapéus de cobre (de proteção e de atração) que os unem uns aos outros , que se abraçam e dançam juntos. Sãoigualmente as células cinzas do cérebro do extra-terrestre ou do indivíduo dentro da barriga da “mama”. Aqui revela-se a força da união desses dois órgãos coração e cérebro, essenciais para a sobrevivência. 

No meio se destaca a imponência da espiral do DNA que divide o quadro. Grudado a ela está uma balança de equilíbrio, a justiça representa por ovos (testículos masculinos e os óvulos femininos) que viram olhos perante o mundo.

No centro também se destaca uma sutil metamorfose. O formato da sorte de trevos de quatro folhas é comparado com asas que acariciam nossa paz interior reforçam o respiro vital.
A forte mensagem: Você não é um robô. Nasça e renasça quantas vezes quiser e for necessário, e isso na sua hora desejada. Os seus órgãos humanos sempre estarão expostos, mas sua fraqueza será sua maior força.

Me voilà, te voilà, nous voilà

“Aqui estou eu, aqui está você, aqui estamos nós”

Ano de produção: 2018

Técnica: acrílico

Dimensão: 70 x 150 x 4 cm

O título “me voilà, te voilà et nous voilà” (francês) (“aqui estou eu, aqui está você, aqui estamos nós”) retrata todos nós. Uma viagem de mente em mente! Convívio entre as pessoas pela empatia e telepatia. Ainda há tempo e ainda é tempo de nos conectarmos e desvendarmos o segredo da vida ainda aqui.

Essa imagem varia de acordo com a orientação que o quadro for afixado

Uma vez ,percebe-se a figura mágica de um duende-mestre, um mago sábio, uma imagem neutra espiritual. Este, porta um chapéu da sabedoria pontudo e enfeitiçado para se concentrar e canalizar as vibrações energéticas. Estas são refletidas como cabelos voadores em chamas de fogo para dentro da tela. Esse Ser tem vários braços que expressam um abraço de duas vias. Dentro dele há um círculo de energia universal canalizando o responsável pela digestão e pela distribuição adentro e afora. O duende não tem pernas nem pés para poder rolar com agilidade e rapidez por onde bem quiser sem ter que lidar com obstáculos e sem ter a preocupação de cair. 

Outra vez se percebe a figura de um  Ser-cabeçudo, composto de uma grande bola de energia, com vários membros parindo ou abduzindo uma vida diferente da dele. Uma raça natural ou mecânica capacitada a dar a luz a um outro tipo de raça. Deixando em aberto se isso se trataria de uma evolução com altruísmo ou de uma regressão por necessidade. 

Essas duas figuras “incomuns”destacam-se como  sábios seres de cada família. nascidos de um feitiço, de algo mágico que faz com que a tela tenha um efeito hipnotizador. 

A tela evoca a curiosidade de querer desvendar mistérios. A conexão entre os detalhes completando o todo. Uma dualidade de duas forças em parceria filosofando em conjunto, um crescimento pessoal e espiritual no mundo da fantasia.

As camadas multicoloridas em volta dos seres tem uma textura diferente  e brilham por si próprio emitindo uma segurança e confiança. E de uma forma ou de outra, essas camadas estão sempre voltadas para os seres, os envolvendo. Elas seriam como fases de sua própria auto estima. Tempestuosa e serena ao mesmo tempo e estimulando sempre a sugestão de um recomeço. 

Dentro da tela se destacam alguns aparelhos voadores camuflados e prontos a levantar vôo para dar suporte caso necessário.

É igual mas é diferente, é diferente mas é igual: Vespas

Ano de produção: 2018

Técnica: acrílico

Dimensão: 80 x 120 x 4 cm cada, conjunto de 2 telas

Esse conjunto acinzentado e prateado expressa  um desafio monocromático e um escape do abstrato para a artista. As telas se encaixam uma na outra de forma visualmente simples e harmônica.

O título “ é igual mas é diferente e é diferente mas é igual”  desperta a curiosidade do duplo sentido mostrando a similaridade e a controvérsia da palavra “Vespa” (bicho e máquina) acentuando o percurso cômico da vida entre o igual e o desigual: um giro entre o que é, mas não é e o que não é, mais é. De um lado as vespas impotentes com suas fragilidades e do outro lado elas potentes com toda suas ferocidades.

Essas imagens refletem uma poesia no concreto, quase uma poesia concreta. Os detalhes minimamente expressos reforçam um aconchegante envolvimento para dentro da tela. Nota-se uma tranquilidade (algo parado no tempo) e ao mesmo tempo uma agitação (um preparo para se mexer). Tudo é uma questão de interpretação: A vespa está dentro da vespa. Um dia você pode ser uma vespa, no outro ser a outra, ou pode até ser as duas vespas ao mesmo tempo.

Ambas as vespas evocam o sentimento de liberdade na pele, no fato de uma voar e a outra rolar pelo mundo afora. Mas elas também intrigam emoções ambivalentes como a agonia de estarem presas e não mais habilitadas a se locomover.

O prazer e a dor também são representados por elas. A vespa animal é um ser vivo da natureza que é receptivo a sentir e também a provocar dor. 

A vespa máquina é feita de objetos metálicos e possui um motor. Ela pode te levar para conhecer e admirar novos lugares como também pode te matar num acidente. 

Os habitats de ambas as vespas foram trocados, elas estão em ambientes opostos a sua natureza. Acentuando nossa possibilidade de mudanças e adaptação aos espaços e aos estilos de vida. A vespa voadora (o inseto) está situada dentro de um labirinto (seria a estrada da vespa motocicleta). E a vespa motorizada está localizada em cima da colméia hexagonal (a moradia da vespa de asas).

Ambos as “melodias” (ruídos) produzidas pelas vespas são constantes e monótonas e suas interpretações são subjetivas. Esses chiados podem provocar inquietude para alguns e para outros tranquilidade. 

A vespa animal produz um zumbido penetrante e pertinente. Pode ser semelhante a um cântico alegre como uma canção de ninar ou a de um choro como um tipo de pedido de socorro, despertando sentimentos agradáveis (certezas e seguranças) ou desagradáveis (incertezas e inseguranças).

A vespa motorizada produz um ruído potente de motor contínuo (percurso seguro)ou o som de engasgo da falta de combustível (medo de ficar no meio da estrada sem recursos).

Game on: les jeux sont faits…rien ne va plus

Ano de produção: 2017

Técnica: acrílico

Dimensão: conjunto de 3 telas: a tela do meio de 80 x 130 x 4 cm e as duas laterais de 70 x 130 x 4 cm

Obra representa o jogo da vida, o campeonato “Game on”. A expressão “les jeux sont faits et rien ne va plus” é utilizada na roleta em casinos, a largada foi dada e a partir desse momento nada mais pode ser alterado até a bola parar e um novo jogo recomeçar. Cada ação atrai uma reação. As sinalizações e as regras devem ser respeitadas, ganhando bônus de experiências pelo percurso, adquirindo conquistas e prêmios e tendo em mente o objetivo de chegar um dia ao topo.

A tela é uma imagem enigma com informações diretas e indiretas atingindo o consciente e inconsciente. É um ringue divertido e cada integrante está na sua luta individual. Um todo com muitas partes e muitas partes dentro de um todo. Um tapete vivo, uma colcha bordada de retalhos intergalácticos na terra dos games, um mantra de batimentos de conexões e de encontros. A tela quer tocar o telespectador através de pulsações, cada detalhe tem um significado. Um convite comovente para uma viagem psicodélica pulando amarelinha nos trilhos da própria mente. 

A importância do tempo é destacada por meio de  símbolos de carregamento ou de esgotamento para o registro do começo ou do final do jogo, uma contagem progressiva ou regressiva. O tempo é um luxo, nossa maior riqueza. O ciclo de que tudo passa e é temporário  é reforçado pela divisória entre o claro e o escuro, do dia da noite.

As duas montanhas multicoloridas laterais se unem ganhando força como um imã no centro, dois triângulos compostos por ruínas de fragmentos lascados. Estas representam um quebra cabeça e um tetris customizados em movimento. Encaixes e desencaixes simbolizam a pobreza e a riqueza do interior da alma de cada indivíduo.

Os famosos monstrinhos e come-comes (pac man) cercam as montanhas. Suas finalidades são subjetivas de acordo com a necessidade da sobrevivência, podendo ser protetores do bem (abraçando) ou invasores do mal (atacando). Teriam eles a função de serem juízes do jogo, não representando nem o auge do sucesso nem o fracasso da perda. Seriam como comilões e trapalhões, um símbolo de obrigação (trabalho, tarefas) e diversão (folga, recreação): monstrinhos para animar ou assustar e pac mans para comer, crescer e proteger ou engolir o adversário.

No centro  tem uma escada feita de zíperes que representa a abertura e o fechamento de etapas. Cada um pode subir (alcançar as nuvens do céu, descansar com anjos) ou descer (ficar na agitação do jogo). Dentro de cada degrau nota-se a evolução de um diamante como prêmio (cobre, bronze, prata e ouro de acordo com o grau de crescimento) e a do movimento de um olhar (como abertura e fechamento da mente e da forma de enxergar a vida: olhos fechados se transformando em olhos abertos e vice versa).

Tatoo: la peau sans passeport

“Tatuagem: a pele sem passaporte”

Ano de produção: 2017

Técnica: acrílico

Dimensão: 70 x 150 x 4 cm

O quadro é representado por um fundo mesclado de três cores (amarelo, preto e branco) que simbolizam uma utopia da pele. Retrata unanimidade e caos simultaneamente.

São as cores de três raças misturadas por completo porém mantendo sua cor íntegra separada que se transformam em manchas camufladas de uma nova pele para todos os indivíduos. Todos sem exceção teriam as três cores na pele, tendo no seu passaporte a cor tricolor como uma nova raça futurística.

Pessoas costuradas dentro dessa nova nativa graciosa e cromatizada pele…como se transformado em tatuagens vivas que se camufla e baila com as raças num zigue-zague de quebra cabeças em excelência.

Exposição na AASP São Paulo

A conquista de uma nova concepção, uma nova tatuagem da raça humana, a pele ideal.

Apesar de termos a mesma pele  (NEUTRALIDADE) (só uma raça humana) com a mesma igualdade, sem julgamentos (SIMPLICIDADE),  mesmo assim continuamos a sermos diferentes, em detalhes nas manchas, cada uma com sua peculiaridade (DIVERSIDADE).

Embutidos na camuflagem da pele mundial sem passaporte, pode-se notar 3 crianças de um lado e 3 adultos do outro, uma de cada raça, que se unificaram na mesma pele universal. Um efeito de colagem e de dobra. Um espelho entre a infância e a fase adulta construídos sobre uma mesma base.

É como se o quadro tivesse sido dobrado no meio e as crianças se transformassem em adultos e os adultos em crianças, isso inúmeras e infinitas vezes, sempre de acordo com a situação da vida necessária. Como as imagens que nascem quando cores são misturadas dobrando o papel e criando novas vidas. A junção e a separação de cada ser.

A obra também lembra a uma impressão de um teste Rorschach com várias interpretações possíveis e imaginárias.

Imagine se o quadro fosse um livro. A forma de abrí-lo e fechá-lo daria vida a um conto de estórias, cada uma com um final diferente, uma vez na visão de crianças, outras de adultos e outra vez de ambos.

“Meus Eus interiores” + “Meus Eus exteriores”

Ano de produção: 2017

Técnica: acrílico

Dimensão: 80 x 110 x 4 cm cada

O conjunto das telas apela à conexão das imagens multicoloridas com um fundo negrume e acentua uma expressão dicotomia, metade claro e metade escuro, como a noite e o dia.

A cor preta representa visualmente uma profundeza, a imensidão do universo. E os fragmentos soltos coloridos em movimento representam células vivas e experiências vividas. Parecem montanhas se construindo ou se despedaçando em nossa volta. Uma revolução silenciosa instalando-se de dentro para fora, de fora para dentro, de baixo para cima e de cima para baixo, como uma operação global de conspiração espiritual. O lote de elementos soltos seria como versos ou pedaços de vozes de nossas vidas. Um auto-aprofundamento em seu próprio mundo ou no mundo alheio.

Em uma tela, temos a sensação de aproximação e na outra de distanciamento: de fluxo e refluxo, de oprimido e comprimido, de aperto e folga, ação e reação, união e desunião.  Quase um visual orgástico conectando-se e desconectando-se. Uma proximidade e uma distância.

Em ambas as telas, os protagonistas principais são os dois “Eus”. Estes são representados por uma forma quadrada  (Eu externo: Fenótipo) e uma forma redonda (Eu interno: Genótipo) usando coroas abastecidas de energia vital e praticando uma síntese. A descoberta da ligação entre razão (corpo) e emoção (alma).

Os “Eus” (internos e externos) estão continuamente interligados com os braços e as mãos (numa tela estão próximos e na outra mais distantes) mantendo o magnetismo como se fossem imãs (lado positivo e lado negativo). Um expele e o outro atrai.

Ambos unidos numa bolha de proteção que numa tela se mostra por inteira e na outra pela metade.

A constante união dos “Eus” irradia e divulga a sensação de regeneração, o poder de nossas mentes construindo nossa consciência. Uma serenidade na troca de olhares, uma segurança no toque das mãos de sempre poder contar um com o outro, de nunca estar sozinho e uma satisfação completa de entender de que fazemos parte de algo maior.

Os “Eus” possuem um matrimônio e patrimônio natural, a associação do matriarcal e do patriarcal e simbolizam a visão que devemos ter e a ação que devemos seguir: Sejamos e potencializamos a mudança que queremos ver acontecer no mundo.

Músique “sous-sûr” les os: au souffle de la mort qui prend vie

“Música ‘dentro e fora’ dos ossos: o respiro da morte que se transforma em vida”

Ano de produção: 2017

Técnica: acrílico

Dimensão: 80 x 130 x 4 cm

Uma tela divertidamente trágica e tragicamente divertida, representando uma visão colorida e leve do mundo dos falecidos.

Os mortos vestidos de ossos nas cores neon dançando, retrucando o pesar inadequado que os vivos dão sobre a tão temida morte.

Aqui o óbito  é manso. Um baile dançante, todos unidos e animados no ritmo requebrando o esqueleto. A melodia singular e original do som dos ossos se entrelaçando.  Esse cântico musical dos ossos faz a aflição do desconhecido desaparecer. A morte cria vida numa festa simpática de encontros. Sintonia e sinfonia!

A tela tem como objetivo reforçar que por dentro somos todos iguais, somos caveiras, esqueletos

Apesar dessa semelhança de ossos, continuamos tendo nossas peculiaridades, representadas por cores e tamanhos diferentes. A tela destaca a semelhança da nudez óssea esquelética, transparência da força da união dos ossos que sustentam nossa estrutura de vida.

Sensação diferenciada das camadas vividas através da descamação nas cores neon dos cadáveres representados pelo tempo do falecimento e da decomposição. 

Alguns já se preparando para algum tipo de reencarnação, esperando a hora de voltar a ter pele e carne em volta dos ossos novamente. O respiro da morte que se transforma em vida. A morte te leva e te traz, são idas e vindas!

Todo mundo no mundo de todo mundo

Ano de produção: 2017

Técnica: acrílico, cores Neon, contorno com tinta 3D que brilha no escuro

Dimensão: 80 x 130 x 4 cm

A tela é representada por um complô de cores néon vibrantes demonstrando uma multidão de pessoas, umas dentro das outras. São os vivos interagindo. Todos estamos juntos e separados e separados e juntos em algum momento de nossas vidas. Trata-se de uma união-junção mundial.

Esses seres distintos simbolizados por figuras de tamanhos, formatos e cores diferentes e sem especificação de rostos e detalhes  (cada um com seu acreditar e seu comportamento de se expressar) formam um conjunto de uma raça a parte (eliminação da discriminação) e reforçam a energia existencial de que todo mundo vive no mundo de todo mundo e contribui para todo o mundo (um dentro do outro e fora dele ao mesmo tempo). Existe uma interação e uma junção superior e que o crescimento somente se dará se deixarmos de sermos egocêntricos e olharmos para todos como um todo.

A imagem representa energias vivas e únicas reforçando o complexo da igualdade mantendo e respeitando a diversidade. Cada um de nós é o outro do outro! Precisamos um do outro!

O quadro, recebeu tintas com material luminescente e, tem a “magia” de brilhar no escuro da noite, ele se ilumina comprovando que mesmo sem iluminação, ele tem o poder de ter uma luz própria, pois é vivo. O contorno das figuras vivas, que mesmo adormecidas fica brilhando, acentuando as auras das pessoas. O brilho na escuridão reforça o efeito ininterrupto das vibrações entre seres vivos. Uma festa contínua do dia e da noite, um brilho (uma claridade) na eternidade.

Essas silhuetas também dão abertura a visão de maçanetas, de fechaduras e chaves de modelos diferentes, que abrem todos os tipos de portas e janelas vivas. A decisão está dentro de nós, de virar ou não a maçaneta, decidindo entrar (ir adiante) ou sair (recuar) perante um desafio. Encaixes e desencaixes. Abrir ou fechar a própria tela.

Les racines du tout et du rien

Ano de produção: 2017

Técnica: acrílico

Dimensão: 100 x 100 x 4 cm

“As raízes do tudo e do nada”

Essa tela representa o mecanismo vital: um ser vivo em sua plenitude, em seu desenvolvimento integral. As raízes do tudo e do nada envolvidas e protegidas pelas sementes primárias e pelas células fecundadas, sustentam e veneram artérias pulsantes e veias calmantes. Estas abastecem o palpitar e a vibração dos batimentos iniciados na cavidade central e se direcionando corpo adentro e afora. 

No meio do quadro pulsa o  coração protegido por um espírito, é nossa alma sentimental…respirando e inspirando. Essa maquinaria direciona a energia para todos os lados (norte, sul, leste e oeste).

Os galhos são membros que incorporam as mãos e os pés. 7 mãos para segurar e abraçar e 7 pés para se movimentar e se sustentar: uma ligação comunicativa.

Juntos formam uma equipe engajada e unificada com envolvimento feminino e masculino.

As folhas entre os ramos configuram gotas do sereno e da sabedoria.

Juntos formam a totalidade de cada ser vivo.

A árvore retrata uma entidade sendo irrigada pelo sangue vivo: terra humana. A copa do esqueleto arbóreo é uma cúpula protetora simulando a imagem de um castelo com janelas florindo. Dentro delas, se vê a transformação de seres divinos (bebês e santas): o fruto e a flor humana. Um novo recomeço.