“Seus planos de vida” + “A vida e seus planos”

Ano de produção: 2011 e 2016

Técnica: acrílico

Dimensão: 100 x 100 x 4 cm cada

A obra é composta de 2 telas e aborda uma confecção viva, um bordado de planos, de ações e de resultados envolvendo vivências.

Duas arenas entre sensações progredindo em movimentos: controlável versus incontrolável, desejável versus indesejável, esperado versus inesperado. Não existe confronto entre o certo e o errado, tudo é possível, tem seu tempo, sua força e seu propósito. A instabilidade faz nitidamente parte da vida, da corrente sanguínea de todos.

A tela “seus planos de vida” (traços retos) representa um labirinto lógico industrialmente construído  (racional), a tela “a vida e seus planos” representa um labirinto da construção humana (emocional). A funcionalidade de ambos representa o poder magnético de um imã, atraindo e repelindo, fazendo parte de uma espécie energética. 

Na tela “seus planos de vida”, o racional se expõe. Os traços retos e geométricos simbolizam as linhas lógicas de pensamentos e todas suas rotas e planos necessários. As ações são detalhadamente calculadas, não há espaço a flexibilidade. A mudança variável não é acolhida e muito menos bem-vinda, pois prejudicaria a beleza rígida desse labirinto de retas sonhadoras. Para o máximo desempenho funcional, tudo tem lugares, tempos e direções estipulados e fixos. Tudo está antecipado, profetizado e prenunciado. Nada invoca o inesperado, as linhas estratégicas configuram caminhos lógicos e se limitam às regras estabelecidas pela mente pensativa (inteligência cognitiva) para que os objetivos de vida traçados sejam alcançados. Os planos são  piloto no comando e controlam os acontecimentos. 

Na tela “a vida e seus planos” (traços curvos), o emocional se expõe. Os traços curvos e redondos estampam as inúmeras voltas inesperadas que a vida faz para se adaptar às situações imprevistas.

Assimilações são necessárias e estas somente alcançam o sucesso devido a manifestação humana, sua capacidade de lidar com a pressão, sua sabedoria de se vergar as circunstâncias, adaptando-se  às mudanças. Deixando-se gerenciar pela inteligência emocional, com o coração disposto a não desistir e persistir a fim de alcançar os objetivos pré- traçados, mesmo que modificado, sempre com a esperança de terem sido melhorados.

A vida está no comando e o indivíduo copiloto na sua maior eficiência. 

Ambos os quadros apesar de filosofarem de formas diferenciadas, retratam um tumulto de agrupamentos caóticos se esforçando a manter um radiante equilíbrio!

Lego: no eixo ou fora, unidos e ligados

Ano de produção: 2005

Técnica: acrílico

Dimensão: 60 x 80 x 4 cm

Uma tela antiga da artista, baseada na inspiração de estudos de fragmentos de outra obra e com uma adesão pessoal.

O uso da mistura das cores se dá de forma sábia e misteriosa.

Uma imagem abstrata bem construída e resolvida com muitas camadas. Focado no significado inconsciente do telespectador. O quebra cabeça significa da estruturas de cada indivíduo e as estruturas da sociedade.

uma montagem viva, as experiências que vamos adquirindo ao longo de nossas vidas, montadas como a lego construindo uma imagem. A cada minuto imagem desloca e se modifica, fazendo dela uma imagem da única e diferenciada. Ela tem esse poder de transformação.

No momento o que sobressai é a imagem uma elegante da obscura dama com seus animais (cavalos elefantes) numa passeata floresta adentro entre árvores perfumadas. Um amanhecer versus um entardecer extenso.

“Sem chamado, um entornado pesar entrou e simplesmente se sentou

Alma minha, como pulsar assim

Poder dominador…te peço educadamente desgrude

Lágrimas vividas não combinam com minhas cores

Nos giros deixem me rodopiar

E que o noturno elege a lâmpada…a mágica obviamente

A luz e eu dentro

No eixo ou fora… unidos e ligados (Diane 2018)

Concreto vivo – Poesia concreta

Ano de produção: 2011

Técnica: acrílico

Dimensão: 80 x 100 x 4 cm

Essa tela representa a interação sinergética  do humano com a cidade, a adesão completa entre ambos. Trataria se de uma nova combinação de entidade, metade gene e metade concreto, ambivalências coloridas interagindo e circulando.

O matrimônio de uma flutuante poesia em concreto: duplo sentido de um movimento literário solto dentro uma poesia concreta, um estilo de poesia visual.

As imagens são abraçadas por uma linha brilhante com glitter, um cordão umbilical representando a aura. Esta constrói uma simbiose entre as pessoas (dourado)  e os imóveis (azul).

É como se a cidade tivesse nascido e se desenvolvido através das pessoas. A idade não tem peso, pois o estável concreto não tem teme rugas e ele sustenta a base frágil do humano.

No fundo do palco, estão os mundos com intensidade ao contrário: atrás das pessoas ficam pedras esverdeadas tranquilizantes com o poder de cultivar atrás dos prédios uma substância líquida  avermelhada energizante simbolizando o movimento sanguíneo em chamas do poder da agitação do fogo.

Uma combinação concordante entre agitação e tranquilidade. Fogo nos prédios e natureza nas pessoas. Um show de uma nova tribo, um lugar badalado e desejado.

São Paulo Dominó

Ano de produção: 2011

Técnica: acrílico

Dimensão: 70 x 90 x 4 cm

Essa tela representa o cotidiano pulsante de uma grande cidade que pulsa 24 horas,  365 dias ao ano sem cessar o batimento dessa rotina diurna e noturna.

Os edifícios vivos (interação entre prédios e humanos) construídos para alcançarem o céu são encarnados por um jogo de dominós, cada um individualizado por seus próprios números como se fossem impressões digitais.  As cifras não buscam a semelhança e sim a diferenciação, seriam botões a florescer (nascimento).

As mãos representam a agilidade dos indivíduos, estas parecem terem sido costuradas com pontos luminosos dentro do cenário da cidade. Como se fossem belas cicatrizes. Nelas destacam-se olhos, como um sexto sentido tentando sobreviver dentro dessa selva urbana. A visualidade não é representada somente com olhos que vêem, mas sim com mãos que sentem com um tocar que enxerga. Os olhos se multiplicam e são os faróis da metrópole. Eles tem dupla função, a de enxergar e de iluminar para verem e para serem vistos.

Dois braços formam uma conexão abraçando e construindo assim uma passagem entre duas dimensões, o material (o tocável) e o sensitivo (o intocável).  A imagem dessa formação de arco lembra o retrato de uma igreja iluminada com seus aros protetores e magistrais.

Essa ponte-túnel cria um movimento de abertura de porta, uma transmissão entre um lado e o outro convidando a travessia desconhecida.

Como vivemos nas alturas, os pés vermelhos vivos cheios de sangue flutuam nos ares, como balões tentando achar a direção dos caminhos. Cada um no comando de sua caminhada.

As raízes são veias e artérias humanas abastecendo a cidade pulsando no ritmo de trevos de 4 folhas que são os figurinos dos corações enterrados na terra.

A calmaria de um céu violeta se destaca no horizonte reforçando uma realidade imaginária.

Semáforo vivo

Ano de Produção: 2011

Técnica: acrílico

Dimensão: 50 x 120 x 4 cm

A cidade é representada de dentro para fora e de fora para dentro.

O céu está no meio da tela e este é incorporado e cercado por edifícios com pequenas janelas de luzes como se fossem lustres de indivíduos fantasiados de retângulos. Todos admirando um contínuo nascer-pôr de sol caloroso.

O rio (a fluidez da cidade) está em volta da tela fechando-a como um escudo.

No centro da tela, um semáforo com formas distintas , que dão acesso a uma entrada de uma caverna, um lugar secreto e protegido, que leva e traz o choque existencial cotidiano de uma grande cidade.

As lanternas luminárias tem duplo sentido, de iluminação e de delimitação onde a segurança começa ou acaba.

Cada canto da tela é marcado com antenas interligadas que tem a função de proteção enquadrada. Essas conexões fazem transmissões ao vivo da vibração da cidade com as pessoas e vice versa.

A tela transmite sincronicamente uma agitação de um movimento e uma calmaria de uma estagnação: o paradoxo de um relógio. 

Coruja embrionária

Ano de produção: 2009

Técnica: acrílico

Dimensão: 120 x 70 x 4 cm

Trata-se de uma tela mais antiga da artista, um psicodelismo flutuante.

Despertar o sentimento de ser uma psico-criança ao tentar desvendar e entrar na tela com pensamentos ondulando dentro de discos voadores da imaginação.

As bolhas de energia representam embriões humanos com sua visão de vida (mentalidades, pensamentos, valores). As multicoloridas da direita definem todas as influências de pessoas que temos durante nossas vidas. E as monocromáticas azuladas da esquerda (lado do coração) traduzem todas as lembranças que temos de seres que já não fazem mais parte do plano terrestre, porém que nos marcaram de alguma forma e foram de grande aprendizado.

Esse jardim dos embriões fortalece a fecundidade vital universal.

No centro com os horizontes invertidos (verde no céu e azul na terra) encontra-se uma família, cada um com seu batimento individual de coração, composta da união de dois seres maiores que criaram dois menores e que tem a supervisão e a proteção de um terceiro ser mágico (representado por  um sol amarelo-avermelhado). As duas bolhas adultas encontram-se no mundo realístico e as três bolhas crianças encontram-se num mundo de fantasia. 

Todos têm um acesso aberto para o mundo das “estrelas” e o contato com as bolhas já falecidas.

Duas portas-janelas (uma dentro da outra) e uma muralha de anjos dourados mistificados dividem o mundo de fora com o mundo de dentro da família. O que for necessário e bem-vindo entrará.

Os arcos de linhas coloridos são plataformas de arco-íris simbolizando caminhos e estradas, onde as idéias podem ser transformadas. Elas funcionam também como gavetas contínuas onde as energias são armazenadas para quando forem necessárias. Como o indicador  do nível do carregamento de uma bateria. E todo esse episódio de vida acontece sobre a supervisão estilizada de uma mãe coruja tomando conta e nos protegendo e de um coração apaixonado.

Izon

Ano de produção: 2007

Técnica: acrílico

Dimensão: 100 x 100 x 4 cm

Nesta tela tudo se direciona à importância da palavra IZON.

Trata-se de uma brincadeira sobre a expressão inglesa “is on” .

A sentença passa por um processo de mutação e é rebatizada e utilizada por um grupo fechado de jovens adultos, que acrescentam no seu vocabulário cotidiano a palavra IZON. Essa abordagem ganha auge (ibope) nas suas existências.

A tela é representada por uma continuidade de um grande redondo com a poderosa palavra IZON e um grande quadrado envolvendo um caça palavras dessa mesma palavra.

O redondo representa o círculo fluido da pessoa na vida real o fluído.

O quadrado representa as regras, o encaixe dentro da sociedade.

Juntos mostram a sutil junção da fase adolescente para a fase adulta e a aceitação das responsabilidades sem perder o fascínio pela magia da criatividade.