Florindo

Papel tela A3
Tinta a óleo

A imagem que acompanha este post pode representar uma paisagem. É possível ver colinas, vegetação e flores. Acima de tudo, porém, além daquilo que se vê em um primeiro momento, está aquilo que pode ser interpretado simbolicamente a partir da imagem. As cores quentes e a alusão às flores remetem a sentidos relacionados com a busca da Humanidade pela beleza, embora esse conceito seja subjetivo e se altere com o tempo. Também está associado com uma busca individual por uma certa perfeição, mesmo que ela esteja na própria imperfeição humana e nos maravilhamentos que ela propicia. O trabalho evoca e invoca sentimentos de amor, glória e alegria, dentro da perspectiva de uma entrega à vida e de transformações internas e externas. Nesse sentido, o amarelo da obra pode indicar uma busca interior de locais de ação cada vez mais iluminados em termos artísticos e existenciais.

Oscar D’Ambrosio

Glória gloria (2022)

Papel A3

Stylo liquid ink + permanent metallic

GLÓRIA GLORIA
Stylo Liquid Ink + permanent metalic sobre papel A3

A arte é um bichinho curioso. Ela fala muito por aquilo que não explicita. É em seus interstícios que se realiza na plenitude. O trabalho que acompanha este post tem como título a repetição de uma palavra que se relaciona com a fama que uma pessoa obtém por feitos heroicos, grandes obras ou por extraordinárias qualidades. Isso a torna conhecida e motivo de orgulho e de exaltação. A arte talvez não se dê nessa esfera daquilo que surge como excepcional. A sua grande magia, como mostra este post, pode se dar no mergulho no ínfimo, no pequeno, no detalhe que, por passar despercebido, muitas vezes é negligenciado enquanto arte. O universo mental e criativo da artista remete a úteros, casulos, tramas e rendas que estão em escala microcelular de nosso organismo e, ao mesmo tempo, em dimensões galácticas universais. Assim, o muito grande e o muito pequeno, pela plasticidade, se encontram.

“Les verres de têtes” (as minhocas da cabeça) (2022)

Papel A3

Stylo liquid ink

Les “verres de têtes” (As minhocas da cabeça)
Stylo Liquid Ink sobre papel A3

Um trocadinho verbal (“minhoca” é, em francês, “verre de terre”, ou seja, “verme da terra”, em uma tradução literal) faz surgir um “verme da cabeça”. A imagem, portanto, apresenta uma multiplicidade de interpretações próprias da jornada interna de quem cria a imagem. O desafio é a conexão dessa viagem pessoal individual com a vivência social coletiva, na qual está o observador. O movimento da obra evoca desde seres da natureza, como peixes, a conexões, que remetem a células ou sinapses cerebrais, em uma mescla de processos em que o interior individual remete ao todo cosmológico ou a plataformas abissais. De uma maneira ou de outra, seja no mais alto do céu ou no mais fundo da terra, a arte fala de si mesma e do seu complexo processo de criação.

Oscar D’Ambrosio

R-Astro (2022)

Papel tela A3

Stylo noir

“R-ASTRO”, realizada com Stylo noir sobre papel tela A3, instaura um universo visual em que, no mínimo, dois caminhos de interpretação dialogam entre si. De um lado, está a ideia de um trajeto, de pegadas que são deixadas pelo vivenciar existencial e pelas veredas percorridas por cada um de nós. Marcas são deixadas em nossa mente e pelo corpo a cada instante, inclusive no ato de criar, pois todo novo trabalho é o resultado, de alguma maneira, daquilo que se fez anteriormente. De outro, há na imagem elementos que remetem aos astros, ou já, aos diálogos entre as estrelas e as constelações. O percurso de cada um é o resultado dessas redes que se realizam em nosso cérebro e no céu, somando e deletando saberes e sentimentos continuamente.

Oscar D’Ambrosio

Rebobinando nosso fio de seda (2022)

Série: Casulando

Papel A 4 preto

stylos gel metalliques e liquid marker

REBOBINANDO NOSSO FIO DE SEDA, obra realizada com stylos gel métalliques e liquid marker sobre papel A4 preto lida com a simbologia dos casulos e da capacidade de, dentro deles, diversos seres vivos guardarem energia para se libertarem e conquistarem o espaço. Muitas vezes a simbologia da borboleta, em sua breve vida plena de beleza, oblitera a magia do casulo em si mesmo, com suas misteriosas e indagadoras formas orgânicas. Este trabalho de Diane Dumas recupera a energia dos múltiplos elos internos do casulo. Surgem redes e caminhos semelhantes às sinapses de um cérebro que estabelecem magias visuais e conotativas. Visto em diversas posições, o trabalho potencializa esse entendimento dos fios de seda como um tecer de infinitas e renovadoras experiências existenciais a serem constantemente renovadas.

Oscar D’Ambrosio

Ar_le_quim no Bo_te_quim

Papel A3

pastel oleoso

“AR_LE_QUIM no BO_TE_QUIM”, obra realizada com pastel oleoso sobre tela tamanho A3, retoma um dos mais célebres personagens da Commedia dell’arte italiana. Inicialmente, ele apenas divertia o público durante os intervalos dos espetáculos, mas a sua importância foi crescendo pelas narrativas em que ele seduz a Colombina, amada por Pierrot, e pelo traje característico de retalhos multicoloridos, geralmente na forma de losango, que despertou a atenção de pintores como Pablo Picasso, principalmente na fase rosa. O vermelho da paixão, no rosto estilizado; o azul da harmonia e o amarelo do poder também aparecem no trabalho, que sugere um personagem embriagado em busca dos prazeres do amor.

Oscar D’Ambrosio

Saltos feitos para “brindar vinhamente”

Papel tela A3

pastel oleoso

SALTOS FEITOS PARA “BRINDAR VINHAMENTE”, obra realizada com pastel oleoso sobre papel tela A3, tem como ponto de partida a música “Et ces bottes sont faites pour marcher” (“These boots are made for walking”), clássico dos anos 1960 que foi lançada no álbum “Boots” de estreia de Nancy Sinatra (https://www.youtube.com/watch?v=m2fPkzJsMU8). Visualmente, o trabalho, como costuma ocorrer na artista visual, pode ser girado em todas as direções. São criados assim elos entre, no mínimo, dois elementos: o salto alto (um deles pode ser visto com destaque em verde) e as taças de vinho (uma laranja pode ser um ponto focal no canto inferior esquerdo). Há elos infinitos entre a sensualidade do calçado e a simbologia do vinho associada à sedução e ao prazer. Vendo o quadro em outras posições, é possível ainda encontrar uma mulher ajoelhada, outras saltos femininos e garrafas. O universo pictórico gira e as botas caminham em busca do seu sentido.

Oscar D’Ambrosio

Arruçado Olho

Papel tela A3

pastel oleoso

ARRUÇADO OLHO, pastel oleoso sobre papel tela A3, gera um pensar sobre a dinâmica que pode ser introduzida em uma imagem. Por meio dos traços, é possível estabelecer uma dinâmica própria, em que a figuração cede o espaço a um entendimento de que a arte tem parte de seu valor no impacto e nas emoções que gera no observador. Muito mais que copiar, imitar ou representar, o desafio artístico é interpretar o mundo de modo que o resultado possa estabelecer um universo próprio, que tenha intrinsicamente um valor expressivo. Assim, o artista exerce seu poder de demiurgo. Pelas formas e cores, diz o tempo inteiro que suas criações existem e resistem à mesmice.

Oscar D’Ambrosio

Descortinando meu Trono – Tronco

Papel A3

crayons gel e stylo noir

“DESCORTINANDO MEU “TRONO-TRONCO”, obra realizada com crayons gel e stylo noir sobre papel A3, traz, inicialmente, uma reflexão sobre as possibilidades de ser vista em quatro maneiras. Seja na horizontal ou na vertical, com inversões de posição em ambas as situações, dependendo da leitura que se prefira dar, surgem os mais diversos caminhos de leitura, que vão de um DNA a uma rede, de um osso a um muro, de fragmentos de uma leitura microscópica a pedaços de uma peça gigantesca. Se o vertical conecta o humano com o sagrado, o horizontal relaciona as pessoas entre si. Essas jornadas do indivíduo com o divino ou com o semelhante apontam em uma mesma direção: o mergulho em si mesmo enriquece as possibilidades de criação e de entendimento da própria arte e da alheia.

Oscar D’Ambrosio